20 April 2008

(Des)ilusões


O desfazer de uma ilusão é sempre uma coisa triste e dolorosa, até porque essa ilusão fomos nós que a criámos. Raramente sozinhos, certo, mas ainda assim somos nós que a formulamos, que lhe damos forma, côr e alma. Por isso mesmo dói muito. Pior ainda mina-nos a auto-estima de uma maneira terrível.
A capacidade que nós temos de construir ilusões sustentáveis é precisamente o que faz com que a nossa confiânça e a nossa auto-estima sejam mais ou menos altas. Quando começamos a ter dúvidas sobre essa nossa capacidade começamos a ter medo de as fazer, medo de nos iludirmos medo de tomar riscos, medo de tudo e de nada. Ora a ilusão é uma grande parte do que nos move, para mim pessoalmente a maior mesmo!
Num percurso normal de vida vamos desenvolvendo essa capacidade à medida que os anos passam. Evitam-se erros passados, reavalia-se a situação, reformula-se e reage-se de acordo, numa espiral evolutiva que é ao fim e ao cabo o ciclo normal do crescimento. Mas quando a meio da vida essa espiral se inverte, quando passamos a ter menos capacidade para nos iludirmos de uma forma sustentável do que anteriormente, então aí a coisa está preta! Primeiro porque contraria o ciclo normal do crescimento, e só por isso é assustador, mas ainda pior é porque vamos perdendo capacidade, força, descernimento, coragem, etc. para reverter o processo e ir à luta de novo. Um murro dói muito mais agora do que quando tinhamos 15 ou 18 anos; a unica vantagem, teórica, é que devíamos conseguir antecipar o murro e desviar-nos. Mas com a espiral invertida deixamos de ter essa capacidade .. e pimba! Levamos o murro em cheio! Dói que se farta, acreditem!

Fui, a maior parte da minha vida, afortunado por ter desenvolvido, precocemente, essa capacidade de uma forma sustentada e eficaz, de tal modo que sempre tive índices de auto-confianca muito acima da média. Uma característica inequívoca desta espiral é que ela se desenvolve de um modo exponêncial tanto no bom e normal sentido como, infelizmente, no sentido inverso. À medida que os poucos riscos que corres te correm bem (desculpem-me o pleonasmo) vais ganhando confiança e vais correndo mais riscos, com confiança, serenidade e uma lucidez fantastica; sentes-te o melhor condutor do mundo!! Verdadeiramente enebriante!!
Mas o contrário pode ser iguamente arrebatador ... é onde me encontro neste momento da minha vida. Deixei que a espiral se fosse invertento pouco a pouco e quando dei por ela estava a acelerar a toda a força no sentido inverso. Comecei pelo trajecto profissional, acomulando erros e desilusões e agora, coisa que eu nunca pensei vir a viver, até as pessoas já me enganam. Deixei de ter a capacidade de criar as ilusões certas com as pessoas certas, deixei de conseguir lêr as pessoas de adaptar a ilusão certa, ou a falta dela e, consequentemente, desiludi-me!!
E depois dizem vocês!! E novidades !!
Pois o problema é nunca vivi esta situação a não ser eventuamente quando era mesmo muito novo e, como tal, não sei o que fazer. É como ter nascido podre de rico e vivido toda a vida sem saber o que é não ter dinheiro e de repente cair na pobreza total ...
Enfim uma coisa eu sei: não adianta envredar pela Rua da Pena, até porque, como podem verificar, nem a placa está direita!

18 April 2008

Considerações em Alta Definição



Adepto efervescente da 7ª arte desde muito novo (comecei com o cinema Francês e fui descendo a fasquia) e, dono de uma colecção (desculpem lá os senhores do acordo, mas eu não consigo escrever isto sem o "c" antes do "ç") de DVDs bastante jeitosa; quase 400 sendo que 90% ou mais são originais, vou aqui fazer uma tentativa de dissertação sobre o tema, ou sobre algo parecido. Claro que se pensar nos "eurikos" que a dita cuja poderá valer, sobretudo nesta mísera fase da minha vida até me arrepio todo .. mas enfim ... vamos ao que interessa, ou não:

A descoberta: A alta definição ou mais conhecida como HDTV. Para os menos técnicos, televisão com praticamente o dobro das linhas e das colunas da nossa TV, mesmo DVDs. Para quem tem TV ou monitor de Pc capaz aconselho a experiência ... é quase como a passagem da TV a P&B para a côr, para quem se lembra dessa mudança, claro!

A marasca: Descobri um forum, entre milhares que existem, que têm quase tudo o que saiu em alta definição; alguns filmes com alguns anos, mas quase tudo o que é recente. Para ser mais claro; mal saia nos US em HdDVD ou em BlueRay, fica logo disponível para download.

O busílis: O forum só aponta os links, não tem os filmes alojados e, para mal dos nossos (pelo menos dos meus) pecados estes links estão todos alojados num site que se chama Rapishare.com. Ora este site requer para liberdade total para fazer downloads uma conta que custa, mais uma vez, carcanhol ... que estranho não é?? No entanto, mesmo sem se ter conta, consegue-se fazer um download de um filme em HD em menos de uma semana .. com algum trabalho e dedicação; para exemplificar melhor os filmes estão divididos em partes de 100mb e um filme em HD pode ir de 45 a 70 e picos partes destas ..

A pausa: Agora é so para vocês e eu descontrairem um pouco!

1ª consideração: a 7ª arte é a séptima (la estou eu contra os senhores do acordo) porquê? Alguém ja contou as outras? A sério, já? Eu nunca! Mas para os devidos efeitos vou tentar:
a) Estou a ouvir Jorge Palma neste momento por isso 2 artes estão garantidas (Poesia aka Literatura e Musica)
b) A pintura eu tb sei que é arte .. ja tentei pintar e sei o quão difícil é.
c) A escultura embora eu não a entenda muito bem (gajos que gostam de apalpar barro) também ouvi dizer que era.
d) Temos 4 .. e as outras? a que eu gosto mais ..a fotografia não sei se é! Arquitetura?? Talvez!
Bem .. se alguem souber ao certo quais as 6 artes antes da 7ª, agradeço a ajuda, mas isso tb não interessa muito.

2ª consideração: Os direitos de autor. Com 8.000 euros de DVDs comprados não tenho problemas de consciência em sacar uns filmes da net .... a sério que não tenho!

3ª consideração: Going Back. Depois de ver filmes em HD os outros parecem-me tão baços que quase não me apetece vê-los. acho que fiz mal em "provar" isto .. mas como eu provo tudo o que posso, o mal ja é de formação.


Conclusão das considerações, considerando que a conclusão é a parte final de uma dissertação (só faltava porem um "c" em vez dos 2 "s" em dissertação"!) O HD vai fazer parte do nosso futuro, assim como a TV a côr fez parte do futuro dos nossos pais e do nosso presente. Quanto mais depressa se familiarizarem com o bicho mais depressa ... agora perdi-me! .. sei lá passam a velhos ou algo assim no género.

Termino com uma frase feita ( ou batida como diria o poeta S. Godinho):
"Há dias de manhã, que um homem, à tarde, não pode sair à noite!"

26 March 2008

Fado em Si Bemol




Hà uns meses atrás tive a boa fortuna de poder ver estes senhores no B Flat, em Matosinhos (sala aonde já fui feliz por varias vezes). Acompanhado do meu inseprarável Jack e na companhia de uma bela e inquestionável amiga, tive efectivamente uma noite impar ..

Estes senhores, com uma fusão de Jazz e Musica Popular Portuguesa, maioritariamente, mas não só, o nosso belo Fado, deliciam qualquer plateia com um virtuosismo musical fora de série. Os arranjos estão celestiais, a interpretação é imaculada e o poder musical enebriante.

Obrigatório mesmo para os mais cépticos!!!

16 March 2008

Afinal, já fui feliz em Bencatel ...



Confesso que se ha 2 dias atrás me tivessem perguntado se havia alguma terra chamada Bencatel eu diria que não; e mesmo que me garantissem que existia uma terra com esse nome e me tivessem perguntado se já la tinha estado, eu juraria a pés juntos que não ...

... e no entanto estaria a mentir. Não só ja la estive como aparentemente já lá fui feliz, como comprova a foto que apresento. Eu explico a foto para melhor entenderem: a foto é real e sou mesmo eu mais uma namorada que pelos vistos arranjei por lá e é mesmo em Bencatel. Eu, só para não haver dúvidas, sou o de vestido claro e muito curto, chapeu e corte de cabelo à Beatriz Costa e sandalinha branca. Catita, não?

As mães daquela geração achavam por bem vestir os meninos desta maneira; depois admiram-se quando uns valentes anos mais tarde descobrem que o seu rico filho é um cross-dresser prestes a sair do armário. Va-se lá saber porquê.

A verdade é que apesar das roupas aparentemente efeminadas e absolutamente ridículas eu pareço feliz. Ao fim e ao cabo não é todos os dias que se vai a Bencatel e muito menos se arranja namorada com esta facilidade.

15 March 2008

Più bella cosa non c'è !!!

Non posto mai in italiano, soprattutto un testo che non è stato scritto da me però, oggi, ho un desiderio di postare questa canzone di Ramazotti. Per tutti queli chi capiscano Italiano, ed pure per queli chi non capiscano ...


http://www.youtube.com/watch?v=FP6SImUh3Ew


com’è cominciata io non saprei
la storia infinita con te
che sei diventata la mia lei
di tutta una vita per me
ci vuole passione con te
e un briciolo di pazzia
ci vuole pensiero perciò
lavoro di fantasia

ricordi la volta
che ti cantai
fu subito un brivido sì
ti dico una cosa
se non la sai
per me vale ancora così
ci vuole passione con te,
non deve mancare mai
ci vuole mestiere perché
lavoro di cuore lo sai

cantare d’amore non basta
mai, ne servirà di più
per dirtelo ancora
per dirti che
più bella cosa non c’è
più bella cosa di te
unica come sei
immensa quando vuoi
grazie di esistere...

com’è che non passa con
gli anni miei la voglia
infinita di te, cos’è quel
mistero che ancora sei
che porto qui dentro di me

saranno i momenti che ho
quegli attimi che mi dai
saranno parole però
lavoro di voce lo sai

cantare d’amore non basta
mai, ne servirà di più
per dirtelo ancora
per dirti che
più bella cosa non c’è
più bella cosa di te
unica come sei
immensa quando vuoi
grazie di esistere...





Grazie tanto, grazie milla, grazie da vero!

14 February 2008

P&B a cores ...

Na minha nova actividade de fotografar noites numa disco Afro-Brasileira em Aveiro tenho-me deparado com muitas caras bonitas, pretas e brancas, desta vez a cores ...





















04 December 2007

Astúrias no seu melhor ..



Estávamos em Fevereiro de 2002 numa das minhas viagens ao vício do esqui .. pena que ainda tinha a máquina analógica ...

01 December 2007

SOLIDÃO


A verdadeira solidão aconteçe quando, mesmo na companhia de nós próprios, nos sentimos terrívelmente sós ...

30 November 2007

PHOTOCHISMUS



O meu site www.photochismus.com fechou devido a custos de manutenção do domínio. Em vez dele e, servindo o mesmo propósito, abri um novo blog com o mesmo nome em http://photochismus.blogspot.com . Tentarei colocar as melhores fotos, pelo menos as que eu gosto mais, e ir actualizando com novas com mais regularidade. Não deixem de visitar nem que seja para dizer mal .. eheheh


Abraço e beijos,

Sérgio

07 November 2007

Parque Serralves

Nada como um passeio na natureza para renovar a alma e repôr a calma no nosso perturbado espírito. O Parque Serralves é um belíssimo sítio para o fazer .. para quem está ou visita o Porto.







04 November 2007

It's a kind of magic ... !!


O momento é o do pôr-do-sol ...


Todos os dias acontece este momento de magia ... todos os santos dias ... dia após dia ... diferente todos os dias ... mágico todos os dias ... eternamente!


03 September 2007

Red Bull dá-te asas … !!!


Desde pequeno que tenho o sonho de voar ... que banalidade ... todos nós temos ou tivemos este mesmo sonho.

No entanto o meu sempre foi mais acutilante, mais verosímel, mais intenso .. menos sonhado. Até porque cheguei a pensar fazer vida disso. Um estranho e contrariante elo de acontecimentos fez desse sonho, isso mesmo .. só um sonho.

Este fim-de-semana voei pelos ares, mesmo sem o Red Bull, mas mesmo assim à sua custa. À iniciativa, e como sempre no nosso país, aderiu o povo em massa ... e eu comedido na aderência, como também já é mau apanágio, segui como pude o evento. Tentei ver as acrobacias no belo vale do Douro na 6ª feira e no Sábado estive a vê-los levantar voo e aterrar sem me misturar com a populaça que transbordava das margens do Douro. Consegui sentir e até entender a diferença: imaginem-se a tentar contruir algo (um castelo, uma visão, um carro de corridas, um sonho .. uma imagem). Agora desenhem o bicho ... no papel a duas dimensões .. falta profundidade certo? Agora peguem em barro, ou em outra qualquer pasta capaz de dar as 3 dimensões ao dito cujo bicho ... entendem a diferênca? ... o céu dá-nos a terceira dimensão .. a capacidade para nos movermos em qualquer direcção .. sob qualquer angulo ... aonde a profusão de vectores nos embriaga os sentidos .. aonde tudo é possível ...

... aos comandos da minha camera .. voei .. sonhei .. amei .. e fui feliz ...


Afinal o Red bull dá-nos asas mesmo ...

06 November 2006

Cuamin linduva yassen megrille


... marcado pela vida, pela derrota e pelo cansaço, sinto-me bem por ti marcado!!!

Todos nós somos egoístas! Toda a minha vida vivi sob este lema e nada, mas mesmo nada em toda a minha existência me levou a pensar que estou errado. Todos nós procuramos o prazer e mesmo quando o prazer é ajudar os outros ou empreender uma cruzada contra as forças do mal, mesmo aí estamos a satisfazer o nosso próprio prazer; estamos a ser egoístas.

O verdadeiro altruísmo é uma coisa muito complexa: para podermos fazer algo que para além de nos satisfazer as nossas necessidades (por mais altruístas que elas sejam) toquem, mesmo que só ao de leve com os desejos de outros temos de delegar responsabilidades, de partilhar benefícios, malefícios, consequências e prazeres, temos de deixar de pensar de uma forma una e passarmos a pensar de uma forma multi-pessoal, abrangente, complexa e completa.

Até ontem nunca tinha presenciado nada que se pudesse equiparar a este pensamento, nunca até ontem tinha vivido uma acção desta complexidade e abrangência.

Eu, que me considero uma pessoa de bem, com grande preocupação pelos que admiro, prezo e amo, gosto, como todos nós de escrever páginas desta vida, aquelas que me dizem algo seja por que razão for, no meu coração. Nele tenho escrito e continuarei a escrever, gravando momentos a talho de escopo, nas raízes mais profundas deste meu malfadado coração .. este mesmo que me há-de ser fatal um dia. Mas todas estas escrituras, escritas ou simplesmente gravuras rupestres só são visíveis para mim mesmo; só eu as vejo, sinto, revejo e relembro. São feitas à medida do meu absoluto egoìsmo e servem um só propósito: o de me alimentar a alma em momentos de escasssez emocional, de me fazer sair, quiçá, de uma pseudo-depressão ou de um momento de absoluta fraqueza ... à custa de lembranças, de memórias vividas, de outros. Puro egoísmo!!

De repente .. algo de novo. Alguém do fundo das trevas marca-se e marca-me para sempre; partilha as suas gravuras com o mundo e comigo ... torna-me cúmplice de uma gravura rupestre talhada com suor, sangue e dor no fundo do seu ser .. para sempre ..

Pergunto eu: existe acção mais altruísta do que partilharmos o que gravamos no nosso coração com a pessoa que dessa gravura faz parte? Existe entrega maior? ... para mim não, para mim, que penso que tudo entendo, este foi a maior surpresa da minha vida .. e também a maior alegria partilhada que eu jamais vivi.... a ti minha Princesa celestial, minha divina inspiração, minha alma partilhada ... o meu grandessíssimo "bem haja":

Marcaste-te e marcaste-me .... para sempre!

19 October 2006

A Côr da Alma



Terá a nossa alma côr? Certamente! Terá uma só côr? .. ou será multicolor?

De que côr afinal nos pintamos? Quando nos vemos ao espelho que côr vemos para além do nosso reflexo?

Sabendo que, científicamente, a côr nada mais é do que o reflexo mais ou menos acentuado de uma ou mais gamas da luz solar, fará algum sentido esta pergunta? Faz pois, porque se pela ciência a côr não passa de um processo reflectivo, pela alma ela é muito mais que isso; é um estado de espírito, uma emoção, um cheiro, uma lembrança, um devaneio ou em ultimo caso um sonho reincidente.

Pois, mas assim sendo a nossa alma terá mil e uma cores, dado a proliferação de emoções, lembranças, devaneios, taras e sonhos. Concordo plenamente que na nossa alma estarão contidas todas as cores do universo ou pelo menos aquelas que o nosso conjunto ocular olhos/cérebro consegue identificar (à volta de 50.000 no comum dos mortais).

Mas de que côr será ela realmente por dentro, sem o reflexo de cores e influências externas. Será ela branca e translucida como um copo bem lavado com o melhor dos abrilhantadores, capaz de absorver e reflectir todas as cores que por lá passam? Ou será ela negra e baça incapaz de ser influênciada por tom algum? .. imutável na sua côr própria!

...
Que côr tem a mentira?
Que rosa será mais rosa? A côr da própria rosa ou a do corar da Rosa?
Qual dos verdes terá a raiva? O garrafa escuro e sombrio ou o límpido alface?
Será o escarlate vermelho?
Será a carne encarnada?
O azul celeste pode também ser cião, ou não?
E o violeta? Púrpura claro?
De que côr são os teus olhos? Castanhos? Marron?

De que valem as cores sem os seus adjectivos? .. de que valem os adjectivos incolores? .. ou os substantivos a preto e branco? .. ou os adverbios descolorados pelo tempo?

Porque serão os pensamento côr-de–rosa .. ou negros? Porque não podem eles ser verdes, amarelos, vermelhos vivo ou mesmo roxos?
E a esperança é mesmo azul? Não será laranja? .. e a laranja não será ela de outra côr nunca antes vista, contada ou imaginada?


E a minha alma? .. de que côr é a minha alma? Verde como uma floresta de coníferas rodeada de uma aura azul marítimo com manchas amareladas como que gasta pelo sol?
...

Não sei!
Sei que gosto de olhar lá para dentro e ver o desfilar de cores mais ou menos vivas, mais ou menos ligadas umas com as outras, ás vezes desconexas por completo, mas brilhantes de alegria, outras em “dégradés” de perfeita sintonia mas com aquele “matte” mortiço como cobertura.

...e quando às minhas cores se juntam as Tuas numa sinfonia colorida, tal qual paleta de pintor no final da sua obra, onde o preto e o branco, o amarelo e o azul, o verde e o vermelho não se distinguem uns dos outros mas sim se fundem emotivamente num turbilhão de emoções tonais, ....

... então sim eu posso responder à pergunta: De que côr é a minha alma?

- Muito, “N”, Bués, Imensamente, Buéréré de colorida !!


07 May 2006

Só um beijo ...

. . .

Só um beijo pode ser a diferênca entre ser e sentir ...
Só um beijo pode ser demais ...
Só um beijo me faz sonhar ..

Só um beijo Teu me satisfaz!

. . .

13 April 2006

Iluminatium




Feci quod potui, faciant meliora potentes

12 April 2006

O Réu do Amor


A sala estava cheia. Hà muito que não se via tal coisa. Todos os intervenientes da vida estavam presentes, todas as correntes filisóficas, políticas, étnicas e espitituais estavam de alguma forma representadas. Um burburinho de proveniencia incerta rompia os tímpanos como se de um motor V12 se tratasse. Era um barulho acutilante que nos rasgava as entranhas.
No banco dos réus, sossegado, quase inerte, o Coração. A um olhar mais isento pareceria culpado sem sombra de dúvida. No majestoso lugar de juiz, o Sr. Cérebro, senhor de todos os raciocínios e de todas as certezas, acessorado pela Razão e pelo Bom Senso. Que trio!, diram muitos. Impossível de falhar; justiça seria feita!
Para formalizar a acusação, a dupla de Nervos saltitava de contentamento. Não era para menos; nunca uma sentença parecia tão certa.
A Alma, advogada de defesa, parecia triste, deprimida, distante até, como se tratasse de um julgamento à distância, sem corpo presente ... (verdade seja dita, este era como se não existisse de tão anestesiado que estava).
Como testemunhas principais, alinhavam-se na primeira fila o Estômago, e a sua filha Ursúla, o Fígado, uma serie de Veias e Artérias inchadas de raiva e a um canto, quase inundados pelas suas próprias secreções, os Olhos. Estes quase pareciam mais vítimas do que figurantes óculos neste processo. Em abono da verdade eram-no ambos.

Apesar da evidência das provas apontarem para uma rápida resolução do caso, a capacidade litigiosa e persuasiva muito acima da média, assim como a sua taxa de sucesso, faziam da Alma um trunfo impar. Esperava-se uma longa sessão.

Mas não foi. Um dos Nervos interrogava incansávelmete o réu: “Sr. Coração, pode-nos dizer aonde estava e que fazia entre as 18h00 e as 22h30 do dia 12 de Abril de 2006?”
Seguiu-se um longo silêncio. Depois o burburinho voltou mas quase em surdina, como se o V12 estivesse ao ralenti.

“Sim, confesso! Estava em casa, não tenho alibi e sim; estava a AMAR!”

O burburinho tranformou-se num coro de exaltações. Ninguem queria acreditar. As testemunhas, todas elas abonatórias e amigas do réu estavam de rastos. O Estômago ardia de raiva, os Olhos soluçavam espasmicamente, o Fígado descarregava a sua raiva na sua mulher Bilis. Até os espectadores mais passivos mostravam a sua indignação e sua tristeza; O Pancreas contorcia-se, os irmãos Pulmões respiravam ofegantemente, duas fileiras de Dentes rangiam de dor e até os pacatos Intestinos se manifestaram ruidosamente.

A Alma essa estava parva! Só os Nervos saltitavam continuamente, como que para disfarçar o contentamento.

Os três magistrados estavam cabiz-baixos. O Bom Senso tinha baixado visívelmete os braços e Razão até tinha abandonado a sala. O Sr. Cérebro, que à priori se tinha debatido com a dúvida de uma culpa, não tinha outra alternativa perante os factos. Deu as três marteladas da praxe menos efusivamente do que costume e proferiu secamente:

Veredicto: CULPADO; O Sr. Coração é deste modo condenado a amar perpétuamente!

06 April 2006

A Vénus de couro!


Da cintura, apertada pelo espartilho de couro,
parte o vale dos seios, farto, generoso.
Em cima dos ombros desnudados o pescoço altivo.
A saia também ela de couro,
como que moldada às ancas, reflecte as luzes quentes da noite.
As botas, altas, esbeltas, poderosas, evocam sonhos já vividos.
Com um leve movimento de cabeça faz rodopiar os cabelos negros,
e eu como que seguindo o movimento fico tonto.
Os olhos escuros, misteriosos, intensos mostram que me querem.
O esgar de um sorriso malandro acentua-me a tontura.

Eu, de joelhos, entrego a alma numa bandeja de prata.

A Deusa fala e da sua voz rouca e áspera emanam ondas de calor que percorrem todo o meu corpo.
Estremeço de felicidade.
Sei que a minha entrega, na procura do seu prazer, da sua felicidade, faz esta Deusa ser mais minha. A minha Vénus de Couro!
Sou feliz.

Dôr


Que sentimento louco este …
Uma agrura imensurável, um ardor descomunal,
Entranhante e entranhado,
Como que um eterno Mal.

Que terrível agonia ..
Uma tristeza profunda, sentida,
Intensa, inexplicável, insuportável,
Em desacordo com a Vida.

Uma laxante dôr ..
Que nos alivía, nos acalma,
Luxuriante, acuta
Invade-nos a Alma.

Berro e não sai som,
Grito e ninguem me ouve,
Choro sem verter lágrimas,
... como num pranto precoce.


Sonho ... espero ... rogo!


Pelo chicote apaziguador,
Pela tortura serena,
Pela Dôr que não se vê
... na minha humilhação suprema.